quelas
palavras, mas, quando as compreendeu, a escuridão
abandonou seus olhos.
- Robert vem para cá? - quando ela anuiu, um sorriso abriu-se
no seu rosto.
Catelyn desejou poder compartilhar da alegria do marido.
Mas ouvira o que se dizia pelos pátios; um lobo gigante morto
na neve, com um chifre partido na garganta. O terror
retorcia-se no seu interior como uma serpente, mas forçou-se
a sorrir para aquele homem que amava, aquele homem que
não punha fé alguma nos sinais.
- Sabia que te agradaria - disse. - Deveríamos enviar uma
mensagem ao seu irmão, na Muralha.
- Sim, claro - ele concordou. - Ben vai querer estar aqui. Direi
a Meistre Luwin para enviar sua ave mais rápida - Ned
ergueu-se e ajudou a esposa a pôr-se em pé. - Demônios,
quantos anos já se passaram? E não nos dá mais notícias do
que estas? A mensagem dizia quantos homens traz na
comitiva?
- Penso que um cento de cavaleiros, pelo menos, com todos os
seus servidores, e vez e meia este número de cavaleiros livres.
Cersei e as crianças viajam com eles.
- Robert virá em passo moderado por causa delas - disse Ned.
- Ainda bem. Teremos mais tempo para nos preparar.
- Os irmãos da rainha também vêm na comitiva - ela
completou.
Ao ouvir aquilo, Ned fez um trejeito. Catelyn sabia que pouca
simpatia havia entre ele e a família da rainha. Os Lannister
de Rochedo Casterly tinham chegado tarde à causa de
Robert, quando a vitória era praticamente certa, e ele nunca
os perdoara por isso.
- Bem, se o preço a pagar pela companhia de Robert é uma
infestação de Lannister, que seja. Parece que Robert traz
metade da corte.
- Aonde o rei vai, o reino segue - ela respondeu.
- Será bom ver as crianças. O mais novo ainda mamava da
teta da Lannister da última vez que o vi. Agora deve ter o
quê? Cinco anos?
- O Príncipe Tommen tem sete anos. A mesma idade de Bran.
Por favor, Ned, tenha tento na língua. Lannister é nossa
rainha, e diz-se que seu orgulho cresce a cada ano que passa.
Ned apertou-lhe a mão.
- Terá de haver um festim, bem-composto, com cantores, e
Robert vai querer caçar. Enviarei Jory para o sul com uma
guarda de honra ao seu encontro, a fim de escoltá-los no
caminho até aqui pela estrada do rei. Deuses, como iremos
alimentar a todos? Maldito seja o homem. Maldito seja o seu
real couro.

Daenerys

O irmão ergueu o vestido para que ela o inspecionasse.
- Isto é uma beleza! Toque-o. Vamos. Acaricie o tecido,
Dany o tocou. O tecido era tão macio que parecia correr-lhe
pelos dedos como água. Não conseguia se lembrar de alguma
vez ter usado algo tão suave. Assustou-se. Afastou a mão.
- É mesmo meu?
- Um presente de Magíster Illyrio - disse Viserys, sorrindo.
Seu irmão estava de bom humor naquela noite. - A cor
realçará o violeta dos seus olhos. E você também terá ouro e
jóias de todos os tipos. Illyrio prometeu, Esta noite deve se
parecer uma princesa.
Uma princesa, pensou Dany. Já se esquecera de como aquilo
era. Talvez nunca tivesse realmente sabido.
- Por que ele nos dá tanto? - ela perguntou. - O que quer de
nós? - há quase meio ano que viviam na casa do magíster,
comiam da sua comida, eram paparicados pelos seus criados.
Dany tinha treze anos, idade suficiente para saber que tais
presentes raramente vêm sem preço ali, na cidade livre de
Pentos.
- Illyrio não é nenhum tolo - Viserys respondeu. Era um
jovem magro com mãos nervosas e um ar febril nos olhos de
um tom claro de lilás. - O magíster sabe que não esquecerei os
amigos quando subir ao trono.
Dany não disse nada. Magíster Illyrio era um comerciante de
especiarias, pedras preciosas, ossos de dragão e outras coisas
menos palatáveis. Tinha amigos em todas as Nove Cidades
Livres, dizia-se, e mesmo para lá delas, em Vaes Dothrak e
nas terras das fábulas junto ao Mar de Jade. Também se dizia
que nunca tinha tido um amigo que não fosse capaz de vender
alegremente pelo preço justo. Dany escutava o falatório nas
ruas e ouvia essas coisas, mas também sabia que era melhor
não questionar o irmão enquanto tecia suas teias de sonho.
Quando era despertada, a ira de Viserys era algo terrível. Ele
a chamava "o acordar do dragão".
O irmão pendurou o vestido ao lado da porta.
- Illyrio enviará as escravas para lhe darem banho. Assegure-
se de se livrar do fedor dos estábulos. Khal Drogo tem mil
cavalos e hoje vem à procura de um tipo diferente de
montaria - estudou-a criticamente. - Ainda tem as costas
tortas. Endireite-se - pôs-lhe as mãos nos ombros e puxou-os
para trás. - Deixe-os ver que tem agora a forma de uma
mulher - os dedos do irmão roçaram levemente seus seios em
botão e apertaram num mamilo. - Não me falhará esta noite.
Senão, será mau para você. Não quer acordar o dragão, quer?
- os dedos torceram-se, um beliscão cruel e duro através do
tecido grosseiro da túnica. - Quer? - ele repetiu.
- Não - respondeu Dany docilmente.
O irmão sorriu.
- Ótimo - tocou-lhe os cabelos, quase com afeição. - Quando
escreverem a história do meu reinado, minha doce irmã, dirão
que começou esta noite.
Quando ele saiu, Dany foi até a 